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Cristiny On Line
Como disse aqui, estava ansiosa demais por esse dia. Contar essa história aqui no meu Cantinho será uma imensa emoção, ainda mais por ser a história de uma grande amiga minha, Rita.
E vou deixar a narração do fato por conta dela, pois nada melhor que a própria pessoa contar o que viveu.
Eu, particularmente, acho linda a história, e me emociono sempre só de ver minha amiga Rita.
Agora, deixo aqui a história.
“O Gabriel foi nossa maior bênção. Em 2004, meu esposo descobriu que era portador de varicocele e não podia gerar filhos. Havia a possibilidade cirúrgica, porém, o tempo médio para uma possível gravidez seria dois anos. Na época eu estava com 38 anos, e achamos arriscado tentar uma eventual gravidez aos 40 anos, portanto, desistimos na idéia de filho natural. Como funcionária da Vara da Infância e da Juventude há 17 anos, nunca tive um envolvimento com as crianças que por ali passavam, por abandono, maus tratos e por outros diversos motivos. Tínhamos cadastro de adoção, tudo dentro dos trâmites legais. No início de novembro de 2005, mês que eu havia completado 40 anos, o Gabriel chegou ao Fórum para ser levado à instituição da municipalidade para abrigamento em virtude de maus tratos. Olhar aquela criança tão indefesa foi a sensação de estar vendo "meu filho" abandonado. No mesmo instante, fui à mesa de um colega e disse para ele que aquela criança viria a ser meu filho. Ele me chamou de "louca", porque para ele não tinha lógica aquilo que eu estava falando. O Gabriel estava com um ano e quatro meses, mas tinha peso e medida de uma criança de seis meses. Sofria de desnutrição de último grau, anemia profunda, além de piolhos e ferimentos nas orelhinhas. A criança foi levada para a instituição, porém, sua imagem não saía da minha mente, virou uma fixação, ato contínuo. Liguei para o meu marido e contei, e o interesse dele foi indescritível. No dia seguinte, fomos ao abrigo, nos inscrevemos como famílias voluntárias, pegávamos a criança na sexta-feira a tarde e devolvíamos segunda-feira. O sofrimento da devolução iniciava domingo logo cedo, era perceptível nele também, era possível perceber pelos olhinhos. Ficamos nessa situação durante três finais de semanas. Já era começo de dezembro e, de praxe, a instituição envia um ofício ao Juízo da Vara da Infância solicitando que as crianças que têm famílias voluntárias possam passar o período de festas e as férias escolares. Foi a nossa oportunidade de ter o Gabriel perto de nós por mais tempo. Pegamos o Gabriel no dia 25 de novembro de 2005 ("data do nascimento do nosso filho"). Só que meu caso foi diferente dos demais casos. Eu sendo funcionária tudo foi feito com muito rigor para não deixar dúvidas de proteção, em vez de retirá-lo do abrigo somente via ofício, foi necessário entrarmos com a guarda provisória. A cada dois meses se prorrogava e a dor também. Iniciou-se o tratamento médico da criança. Além da pediatra, que foi nossa maior aliada, tínhamos ainda acompanhamento de um cardiologista e da hematologista. O tratamento perdura até os dias atuais. A guarda provisória tramitou durante dois anos. Cada dia a incerteza era maior, o processo ficou suspenso durante um ano, concedendo à mãe o direito de visitas. Foi muito doloroso, ela não tinha afinidade nenhuma com a criança e ele chorava horrores para ficar com ela. O profissional responsável por este acompanhamento achou por bem cessar, pois estava sendo prejudicial à criança. Em novembro de 2007, exatamente dois anos depois, conseguimos a adoção do Gabriel. Hoje, aos 04 anos e 05 meses, ele pesa 19 quilos e mede 1,04. Está lindo e saudável. Espero que a nossa luta sirva de conforto para aqueles que estão passando pelos entraves que ocorrem com a adoção no Brasil.
Nosso abraço."
Abaixo, as fotos do Gabriel e da família, Marcos e Rita.
Espero que esse relato ajude muitas outras pessoas a lutar, assim como disse Rita ao contar a história. Que seja a força dela a mesma de muitos outros pais de filhos adotivos.
Estou ansiosa pra escrever sobre a adoção,
mas como disse que iria ser dia 15/11, estou me contendo do lado de cá.
Tenho uma história linda pra contar, venham me ler logo mais.
Enquanto isso vou deixar aqui uma música pra alegrar o final
dessa sexta-feira.
Céu de Santo Amaro.
Composição de Flávio Venturini, e interpretada por ele,
juntamente com Caetano Veloso.
Ouçam e se deliciem, viajando por este céu todo estrelado.

Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor, nos invadiu
Com ela veio a paz, toda beleza de sentir
Que para sempre uma estrela vai dizer
Simplesmente amo você
Meu amor, vou lhe dizer
Quero você
Com a alegria de um pássaro
Em busca de outro verão
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei
Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor nos invadiu
Então
Veio a certeza de amar você
Hoje vou falar um pouquinho de Zé Ramalho.
Em 1984 Zé Ramalho chegou disposto a criar para si um admirável mundo novo.
Com isso, resolveu gravar uma série de rocks
Final de noite, saudade que invade, que aperta, que dói.
Na janela o som da chuva que cai, me trazendo lembranças
de momentos, que pra mim foram tão mágicos.
Que pena que tudo se foi...
Bem baixinho, aqui pertinho de mim, Flávio Venturini canta:
Longa Espera.