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Cristiny On Line
Sempre que venho postar aqui no meu cantinho,
seja em momento de desabafo, nos momentos nostalgia
ou em qualquer outro que aconteça, gosto sempre de deixar
uma melodia que encaixe com o que tenho a dizer.
Mas hoje eu vou deixar tão somente um poema
que rabisquei e que cá dentro de mim
se faz pura melodia, que me faz dançar, bailar e
porque não dizer até que me faz levitar.
Nas minhas madrugadas de insônia e
de solidão, vivo à vagar pelos sites à ler poesias.
Algumas me tocam mais.
Em algumas que leio, chego a me sentir,
como diz Milton Nascimento:
"Certas canções que ouço,
cabem tão dentro de mim
Que perguntar carece
como não fui eu que fiz?"
E é o caso de um soneto lindo que descobri
do poeta Miguel Russowsky,
e que vou deixar hoje aqui no meu cantinho.
Vejam só que lindo.
A Chuva Chora
A chuva chora lenta na vidraça
suas lágrimas são finas... (eu também).
Hoje estou triste e dói... A vida passa
e eu faço versos sem saber a quem.
Há sonhos que recheio de fumaça
sortidos em teares do desdém.
Amei... Perdi... e da amargura, a taça,
soube fazer de mim o seu refém.
Escrevo... A chuva chora... O pensamento
umedece meus olhos, no momento
em que tento findar este terceto.
Sei que o silêncio habita a tarde fria,
só não sei como a chuva, tão macia,
consegue por espinhos num soneto.
Milton Nascimento - Certas Canções
Momento Nostalgia
Hoje vou falar de Sérgio Freitas Bittencourt,
compositor e jornalista.
Nasceu em 03/02/1941 e faleceu em 09/07/1979.
Filho de Jacob do Bandolim, foi criado em volta dos chorões e das
rodas de choro.
Na escrita, seu estilo era duro e desaforado,
mas era considerado sentimentalista.
Trabalhou nos jornais cariocas Correio da Manhã, O Globo,
O Fluminense e na revista Amiga, de Bloch Editores.
Teve programas na rádio Capital, Carioca - no Rio e Mulher, de São Paulo.
Foi jurado dos programas de TV de Flávio Cavalcanti :
Um instante maestro !, A Grande Chance e Programa Flávio Cavalcanti.
Participações em festivais de música:
1966 - II Festival de Música Popular Brasileira, Tv Record.
Classificado em 4º lugar com a canção "Canção de não cantar",
junto com o conjunto vocal MPB-4.
1966 - I Festival Internacional da Canção, Tv Rio.
Concorreu com a música "Canção a medo", interpretada por MPB-4 e
Quarteto em Cy.
1968 - Festival O Brasil Canta no Rio, saiu vencedor com a música
"Modinha", interpretada por Taiguara.
Teve outras inúmeras composições gravadas por vários cantores
brasileiros.
Em 1970, a canção " Acorda, Alice" de sua autoria foi proibida
pela censura da ditadura militar brasileira, pelos versos:
Acorda, Alice / que o país das maravilhas acabou.
Abalado com a morte de seu pai, compõe a canção Naquela mesa,
se tornando grande sucesso na voz de Elizeth Cardoso.
Sendo regravada, posteriormente, pelo cantor Nelson Gonçalves
e pelo maestro e arranjador francês Paul Mauriat.
Vou destacar hoje duas melodias dele
A primeira:
Sérgio Bittencourt e Elizeth Cardoso - Naquela Mesa
Naquela Mesa
Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre, o que é viver melhor,
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã
Eu não sabia
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto doi a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala no seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim.
A segunda melodia é:
Eu Quero
Eu quero que você me ame
Que você me chame quando precisar
Eu quero saber ir embora
Sem ter dia e hora pra poder voltar
Eu quero enquanto o tempo passa
Que você na raça saiba me ganhar
Eu quero ter a vida inteira
Pra fazer besteira e você perdoar
O que eu sei hoje da vida
Até Deus duvida e eu vou te ensinar
Eu sei dizer tudo o que eu sinto
E até o que eu não sinto pra me disfarçar
Eu sei calar na hora exata
Eu sei que a dor não mata, mas pode marcar
Eu sei traçar a minha meta
Ninguém é poeta por saber rimar
E por falar em poesia vai raiar o dia
E eu vou te buscar,
Eu quero, juro de verdade
Que toda a cidade veja eu te levar
Por todos os meus descaminhos
Somos tão sozinhos
Que o melhor mesmo é se dar
Eu quero que voce se dane
E mesmo que eu te engane
É assim que eu sei te amar
É assim que eu sei, eu sei te amar
É assim que eu sei, eu sei te amar